Não se cale, denuncie!

A violência de gênero é um problema estrutural que silencia milhares de mulheres todos os dias. No entanto, ao contrário do que muitos pensam, a violência raramente começa com uma agressão física. Ela se manifesta de forma progressiva, muitas vezes mascarada por comportamentos que a sociedade, equivocadamente, confunde com "excesso de cuidado" ou "ciúme normal".

No Brasil, cerca de 4 mulheres são vítimas de feminicídio por dia, foram 1.518 mulheres mortas só em 2025¹.

Em dias de jogos de futebol, estudos mostram que os casos de violência contra a mulher aumentam 23%². Em sua grande maioria, as agressões ocorrem dentro de casa, local onde as mulheres acreditam estar protegidas. Essa estatística alarmante revela que o ambiente doméstico torna-se o cenário principal da violência sob o pretexto da exaltação esportiva, evidenciando como o machismo estrutural utiliza momentos de tensão para validar comportamentos abusivos.

Diante dessa realidade, a legislação tem se tornado uma ferramenta essencial para romper o silêncio. No estado da Paraíba, essa responsabilidade é reforçada pela Lei Estadual nº 11.657/2020, que obriga condomínios residenciais e conjuntos habitacionais a comunicarem às autoridades policiais qualquer ocorrência ou indício de violência contra a mulher em suas dependências. O descumprimento dessa norma pode resultar em multas severas para o condomínio, que variam de 200 a 2.000 UFR-PB.

Somado a isso, a Lei Federal nº 13.931/2019 estabelece a notificação compulsória para hospitais e serviços de saúde, garantindo que casos suspeitos sejam reportados em até 24 horas. Essas medidas visam transformar a omissão em ação coletiva, deixando claro que a segurança das mulheres é uma prioridade pública que não termina na porta de casa.

A Escalada da Violência: O Ciclo Invisível

A agressão física costuma ser o ápice de um processo que se inicia sutilmente. Entender a escalada da violência é crucial para interromper o ciclo antes que ele se torne fatal:

  1. Violência Psicológica: Começa com humilhações, insultos, isolamento (afastar a mulher de amigos e familiares) e controle sobre o que ela veste ou com quem fala.

  2. Violência Moral: Calúnias, difamações ou comentários que buscam destruir a reputação da mulher.

  3. Violência Patrimonial: Controle do dinheiro, destruição de documentos, objetos pessoais ou instrumentos de trabalho.

  4. Violência Sexual: Imposição de relações sem consentimento ou impedimento do uso de métodos contraceptivos.

  5. Violência Física: Tapas, empurrões, sacudidas e, em níveis extremos, o feminicídio.

Lembre-se: O abuso emocional não deixa marcas na pele, mas é o alicerce para todas as outras formas de violência. Se você se sente vigiada, diminuída ou com medo de expressar sua opinião, você pode estar vivenciando um relacionamento abusivo.

Onde Buscar Ajuda?

Você não está sozinha. Existem redes de apoio e canais oficiais prontos para oferecer orientação e proteção.

  • Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180: Serviço gratuito e confidencial que oferece orientação sobre direitos e serviços públicos, funcionando 24h em todo o Brasil.

  • Emergências – Ligue 190: Caso a agressão esteja acontecendo agora ou haja risco imediato à vida, entre em contato com a Polícia Militar.

  • Delegacias da Mulher (DEAM): Unidades especializadas no atendimento humanizado e no registro de ocorrências.

A violência prospera no silêncio. Falar é o primeiro passo para a liberdade.

Delegacias da Mulher na Paraíba (DEAM)

João Pessoa (Norte) - Av. Maximiliano Figueiredo, 499, Centro (83) 3218-5316 / 5317

João Pessoa (Sul) - R. Manoel Rufino da Silva (83) 3264-9164

Campina Grande - Rua Raimundo Nonato de Araújo, s/n, Catolé (83) 3310-9343

Patos - Rua Elias Asfora, 803, Bairro Maternidade (83) 3421-6013

Cajazeiras - Av. Comandante Vital Rolim, s/n, Centro (83) 3531-4481

Guarabira - Travessa Ledônio Rodrigues de Bulhões, s/n, Cordeiro (83) 3271-4144

Sousa - Rua Sandy Fernandes de Aragão, 84-B, Gato Preto (83) 3522-1789

Cabedelo - Av. Pastor José Alves de Oliveira, 357, Monte Castelo (83) 3228-6349

Santa Rita - Rua Maura Dias Ramos, s/n, Jardim Miritânia (83) 3229-8738

Bayeux - Avenida Pedro Ulisses, 211, Centro (83) 3232-3339

Outras Unidades e Cidades Atendidas

Além das listadas acima, existem unidades em:

  • Queimadas: Rua José Braz de França, s/n, Centro.

  • Monteiro: Rua Maria da Salete de Almeida Nunes, 67, Centro.

  • Mamanguape: Rua Escritor Oscar Lina, 18, Bairro Campo.

  • Esperança: Rua Izaias Nogueira dos Santos, 396, Centro.

  • Itaporanga: Rua Manoel Franco da Costa, 41, Xique-Xique.

  • Alhandra: Rua Pedro Gomes de Souza, 826, Loteamento Nova Alhandra.

1:https://agenciabrasil.ebc.com.br/direitos-humanos/noticia/2026-02/brasil-atinge-recorde-de-feminicidios-em-2025-quatro-mortes-por-dia#:~:text=Brasil%20atinge%20recorde%20de%20feminic%C3%ADdios%20em%202025:%20quatro%20mortes%20por%20dia.%20Ag%C3%AAncia%20Brasil.

2:https://www.estacio.br/blog/conteudo-gratuito/como-identificar-violencia-domestica?srsltid=AfmBOopDzGpqM2iI8zWDb6rRS22XO5BGZetVVmGZHoV4UWj25uxhv_WF